Terça-feira, Junho 28, 2005

PILEQUE

embebedou-se tanto de caetano

que acabou esquecendo

que a musa gostava mesmo

era do chico


e terminou

(só)

ouvindo vinícius


Poema de Isabella Benicio


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Terça-feira, Junho 21, 2005

Essência

E para calar essa melancolia...
Penduro estrelas
No varal do dia.

Poema de Bia Clark em Letra Criada


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Segunda-feira, Junho 20, 2005

imagens

pelo pátio
pálido

o coágulo
duma estátua
ou um fio de cabelo
esmeralda


nu
peito
em movimento

lenta
mente

Poema de Adriana Zapparoli em Zênite


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Sexta-feira, Junho 17, 2005


num galho
do pomar

a pipa enroscada

só falta
cantar

Poema de Lucas de Meira, em Pré-Renúncia do Paralelepípedo Rebelde



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Terça-feira, Junho 14, 2005

Surturbano

Nada me calça os olhos
Pensei cansadas vias
Talvez não ouvisse direito
E o metrô com sua bocarra
Me agarra, sufoca, engole, cospe
Todos os sóis do mundo
Na cabeça de postes ligando luz
A película queima em fogo brando
Atores paralisando stop-action
Encaixe de pensamentos britadeiras
Buracos ocos, ocas, docas bêbadas
"Quem pode querer impedir
A lua de engravidar todo mês?"
Ver a vida sem óculos
Deixar de esperar cansada
Plantar cachoeiras
Colher fogos de artifício
Brindar com água sanitária
Gritar baixinho
Acender um cigarro atrás do outro
Sair de cima
OU desocupar a esquina.

Poema de Paula Cury em Brinde Sulfúrico


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Segunda-feira, Junho 13, 2005

A FACE QUE EU TRAGO: ALEGRE E TRISTE

Que nada me traduza o que ora sinto.
Nem traços deixe eu: se alegre ou triste.
Se alegre eu parecer, saiba que eu minto,
e em triste nada mais do que despiste.

Não é que eu seja assim por puro chiste,
tampouco por missão ou por instinto.
Eu sou porque me apraz. Porque consiste
que eu seja de mim mesmo o labirinto.

Portanto, alegre e triste eu sou os dois.
E tudo ao mesmo tempo e no depois,
bem como fui no antes. Eis-me a face.

Que eu nunca me decifre ou me descubra.
Eu quero é mais um manto que me cubra
e a própria face nua me disfarce.

Poema de Antoniel Campos em Poros e Cendais


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Sábado, Junho 11, 2005



Poema de meninapoesia em Duas Palavras


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Sexta-feira, Junho 10, 2005



Poema de Victor AZ en Concretismo!


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Quinta-feira, Junho 09, 2005

Cortes

Eu sou um aleijado
Asas, faltam-me asas
Alma, falta-me a alma

Eu sou um mutilado
Falta-me o sorriso de criança
Estirpado por algum bisturi

Eu ando apoiado em muletas
E tomo quilos de neosaldina
Pra aliviar a dor

Eu vivo como quem perdeu o coração
Ou, pelo menos, seus batimentos mais simples

Como quem faz hemodiálise
De lembranças...

Eu sou um aleijado
Sonhos, faltam-me os sonhos

Poema de Ricardo Almeida em Poesia Residual


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Quarta-feira, Junho 08, 2005

Classificado
Em Paráfrase
A Título de Resposta
Vestígios de Duelo
Ou Inveja


Procura-se uma PALAVRA
Erótica
Não-Errática
Romântica
Que caiba aqui
no meu tesão.

Poema de Gi Jardim em O Fôlego dos Meninos e Outras Febres


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Segunda-feira, Junho 06, 2005

SER

E és água
no contorno da tarde adormecida.

E és mácula
na minha boca ressequida.

Não sei se és bela ou sangue
a sonhar ou doer.

Só sei que existes e não vens
e a tarde vem na mesma
e eu tenho que ser.

Poema de Barbant, em Poligrafia


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Domingo, Junho 05, 2005

TRINDADE

Eu sou
És tu
.
Somos
Espaço indizível
Intervalo em sopro
Concha tramada
Nós

Poema de Adélia Theresa Campos em Oceanos e Desertos


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Sábado, Junho 04, 2005

camuflagem

hoje, sexta-feira
estou mais ativa
fim de semana recebo visitas
com essa cara
de paisagem futurista

segunda, dia de pasmaceira
desfaço a maquiagem
e volto a ser eu lesma

arrastando pela casa
essa minha natureza-
cinza

Poema de Valéria Tarelho, em Textura


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Sexta-feira, Junho 03, 2005

Navegante

O Cruzeiro do Sul como as primeiras estrelas, também busca farol.

As mãos sobre mim
navegam sem bússola

O tato encantado
vencendo os recifes
toma-me ilha

O olhar líquido
sobre alma litorânea
iça velas

Meu corpo
agora é porto
até o cais da tarde


Poema de Diana-Dru em Entre nós e Laços


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Quinta-feira, Junho 02, 2005

POEMA PARA A MULHER AMADA

teus horizontes
quero lamber teus incêndios teus crepúsculos teus
delírios teus silêncios quero
lamber teus gemidos
teus morangos teus sonhos teus desejos
teus mistérios quero
lamber
tuas planícies tuas auroras tuas acácias
tuas alegrias
tuas luas
tuas alegorias
tuas carnes tuas palavras
eu quero

Poema de Moacy Cirne, em Balaio Vermelho


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Quarta-feira, Junho 01, 2005

Retiro

é quando estou no meio de todas as gentes

que me isolo
em busca de ti

amarro-me no cordão
(um)
bilical

sem temer efeitos isolaterais

é quando estou no meio de todas as pernas

que me descolo
de mim

desamarro o cordão
(plural)

enquanto enrosco-me em tuas madeixas.


Poema de Linaldo Guedes, em Zumbi escutando blues



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