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Sexta-feira, Julho 21, 2006
SOMBRA
sou o estranho que mais conheço sem meio e sem fim sou meu recomeço Poema de Lilian Maial em Cara a Cara | __________________________________________________________ Quarta-feira, Julho 12, 2006
Ecoando
soa como um lamento o vento que não se cala sob a janela do quarto, mas é apenas a ressonância do alento que falta no peito que não descansa, insone, neste aposento. Poema de Dora Vilela, em Pretensos Colóquios | __________________________________________________________ Quinta-feira, Junho 29, 2006
Maria.SINAS
Os olhos o choro a menina. a lata o lixo as latinhas um osso. a mão a boca a fome o ventre um oco. Só ossos, a sina Oh vida! Como agarrar-se em tuas crinas? Maria. 14º aniversário E segue a garota. carrega sua sina : nos braços uma boneca catada do lixo no ventre, a segunda menina. Poema de Jeanete Ruaro em Mar da Poesia | __________________________________________________________ Quarta-feira, Junho 07, 2006
Em parte (ou, Epitáfio)
Partitura sem fim Parte tua sem mim Memória póstuma posta de lado posto que é chama e finita... De concreto nessa vida só a lápide na despedida Poema de Clauky Saba em Arte em Toda Parte | __________________________________________________________ Sábado, Junho 03, 2006
no circo
empilhando palavras encantada menina quer ser poetisa poeta poesia concreta gira contorce prende solta ar inspirando transpirando próxima sílaba letra acentuando perigo não quer derrubar um termo um verbo um porquê travessão estende a lona em mente cercando diálogos sem forma forma sonho de ser coração desarrumado em versos sem jeito gesto de desequilíbrio malabarista mambembe saltimbanco cambalhotando piruetando saltando continua empilhando busca termos escondidos por todos os lados e cantos entra em jaulas doma leões passeia sobre elefantes vida louca e deliciosa de artista em cena a glória fantasia encanto disfarçando viva palhaçada um tiro uma bala o globo a morte na linha arrisca a vida se atira vive pulsa vibra e ainda empilha sinônimos comas se alegra na dor ponta dos pés põe o bobo nariz vermelho assoando sonoridade empilha gargalhada empilha lágrimas empilha sorrisos coração solto pura alegria de menina poesia boba cai ri ! ; : Poema de Maria Cláudia, em Registros | __________________________________________________________ Terça-feira, Maio 30, 2006
Quadro para uma fotografia (ou Carta Para Um Novo Amigo)
Hoje Teu nome tem o cheiro doce das lembranças, Tem o gosto amargo do passado, Tem a fluidez dos ventos de Barão. Hoje, Com as pontas de todos os meus dedos, Escrevi, Em meu corpo, O eco da distância: Solidão. (A polidez só cabe em alguns gestos. Perdão.) Poema de Beatriz Galvão em Por Um Triz | __________________________________________________________ Quarta-feira, Maio 24, 2006
O VESTIDO
A brisa balança o vestido azul no varal. A moça olha e o rosto molha. O vento seca o tecido florido E os olhos azuis da moça. A moça lembra o toque do ontem, Mãos quentes em cada flor do vestido. O toque da lembrança traz o som Das palavras frias, indiferentes Ao amor que o vestido vestia. E indiferente às lágrimas da moça O vento venta mais forte Soltando o vestido florido do varal. As flores azuis do tecido voam, voam Misturando-se ao azul imenso do céu. O vento leva o vestido, as flores E os sonhos azuis da moça. A moça olha o varal vazio E, vazia, Chora o amor e os sonhos Que o vento, Num repente, Lhe roubou. Poema de Isabella Benicio | __________________________________________________________ Sábado, Maio 20, 2006
monotonia
ah uma tarde de gavetas reviradas camas desfeitas roupas amassadas sentimentos rotos espalhados pelo chão não uma tarde qualquer azul e tola como essa canções antigas na vitrola alguma brisa a casa imaculadamente organizada e limpa e esse travo de bolor e tédio atravessado à garganta e ao coração (se ao menos sobreviesse um temporal...) Poema de Márcia Maia em Tábua de Marés | __________________________________________________________ Terça-feira, Maio 09, 2006
_boa noite amor_
beijou-me foi para o outro quarto apagou do meu a lâmpada fechou a porta mas deixou o rastro claro do verde-de-seus-olhos pincéis chapiscando com faíscas de sua luz o muro-tela dos sonhos ainda não sonhados esclareceu em mim o que ainda era breu Poema de Diovvani Mendonça em poeminhas para matar o tempo e distrair dor de dente | __________________________________________________________ Sexta-feira, Maio 05, 2006
Drummond revisitado
Ah, este choro de Pixinguinha, esta cerveja mofada de gelo, me deixam comovido como o diabo. E eu nem preciso olhar a lua. Poema de Francisco Sobreira, em Luzes da Cidade | __________________________________________________________ Quarta-feira, Abril 05, 2006
LITURGIA DAS RUAS
Bendito é o suco de vosso ventre que sabe a mel e canela e mata a sede daqueles que vos bebem no entrepernas. Bendito o sal de vossa pele que tempera a boca dos famintos que vos procuram perdidos no silêncio das vielas. Poema de Marcelo D´Ávila em Kayuá | __________________________________________________________ Terça-feira, Março 28, 2006
A PALAVRA
Tua língua molha a palavra A palavra molhada pregada em tua língua brinca livre e lúbrica no corpo do meu poema... Poema de Marla Queiroz em Doida de Marluquices | __________________________________________________________ Quarta-feira, Março 22, 2006
A rua
Traz a rua pra mim a rua forte a rua a teus pés teus pés na rua a rua calçada teu calçado sobre ela teus passos traz a rua e você, rude a rua ruiva a curva, tua, da rua a rústica pedra teu chute na argila solta traz de volta você a outra mão da rua teus pés de volta traz a rua sem saída sem fim Poema de Arnaldo Bloch em Arnaldo Blog | __________________________________________________________ Terça-feira, Março 14, 2006
Fantasma
[ Sombra dos reflexos, lembrança perdida Sou brinquedo de lado, linda pedra partida Sou o outro caminho, mágico falido Sou o sonho esquecido e teu ego ferido Prazer, eu sou, teu maior inimigo. Senha decifrada, escada infinita Sou a asa quebrada, vento forte na aveninda Sou o mau exemplo, tua fruta proibida Sou o fantasma da perda, tua "anti-utopía" Não contente, sou também, tua triste melodía. ] Poema de Henrique Meirelles, poeta e músico. | __________________________________________________________ Quarta-feira, Março 08, 2006
Um amor de Maria
Há o amor Que também passa roupas Também brinca Tem mau humor E despeja ira como ninguém, Sobre a louça da noite anterior. Poema de Valéria Freitas, em Alumiada | __________________________________________________________ |